tic tac tic tac marcava o relógio grande, sobre a mesa. dizia-se que nunca atrasava nem adiantava, mas não passava de um velho relógio de mesa, desses que compra-se na primeira vez, admira-se na segunda e arrepende-se na terceira. fosse de um jeito, fosse de outro, lá estava o relógio a marcar as horas como bem o convia. nem bem, nem mal, apenas no jeito dele.
e o tempo já passara para o relógio, as engrenagens enferrujaram, o vidro escureceu, os ponteiros ficaram flácidos. mesmo assim, insistia em marcar a hora. alguns tentavam imaginar como seria quando ele parasse, quando cedesse à sua velhice e simplesmente desistisse de marcar. uma tragédia, diziam uns, uma fatalidade, diziam outros, o fim dos tempos como conhecemos profetizavam ainda outros.
não passava de um mero relógio de mesa, desses que já fazem parte da vida, da mobília e da paisagem.
e que diferença isso faz? ninguém lê essa merda mesmo..
11.4.07
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