1.6.07

quando a visão trai os olhos

era noite, mas mais parecia dia. um clarão forte, ofuscante, porém ela não sabia se era real ou ilusão, não conseguia entender o que se passava à sua volta, já era tarde, deveria ser noite, mas o clarão era daqueles de quando se encara o sol do meio dia por tempo prolongado.

- o que?

- olhe para o sol ao meio dia. fique olhando, não desvie os olhos e você saberá do que eu estou falando.

- isso não faria bem para os meus olhos. eu poderia ficar cego.

- é disso que eu estou falando. você é burro ou o quê?

- o que.

- foi o que eu pensei.

- e o clarão, o que tem a ver com isso?

- ah.. já tinha me esquecido. ela estava com um clarão desses, mas era a noite e não haveria a menor possibilidade de encarar o sol àquele horário. ela não disse nada para ninguém, guardou para si sua aflição, tentou sanar seu problema sem recorrer à medicina ou aos curandeiros de plantão.

- certo, mas.. não bastaria apenas fechar os olhos?

- é claro que não. de olhos abertos ou fechados o resultado era o mesmo.

- e o que aconteceu?

- sei la.. tive que ir embora e nunca mais a vi.

- que merda.

- é..